A evolução do telefone sem fio

Corri pra casa para recarregar meu celular, achei que tinha perdido algo, e perdi. Perdi a oportunidade de sorrir. Estava preocupado à toa, tudo era brincadeira de criança, que fazia tempos que eu não tinha

Em tempos que conversar pessoalmente ficaram mais escassos, vemos as redes sociais crescerem assustadoramente e com isso, trazer novas indagações. No passado, um grupo de amigos se formava em uma esquina e o papo rolava solto, com todos os integrantes interagindo numa conversa agradável. Hoje em dia, isso é cada vez mais raro, como ver o cabelo de uma freira. Mesmo assim, encontramos pessoas que com a tecnologia em mãos, deseja a aproximação, o toque, as gargalhadas. Isso é o renascer das cinzas numa apoteótica imersão de amor.

O problema das redes sociais na sociedade contemporânea é que, como ficou mais prático e de fácil acesso, não nos importamos muito com a presença, basta um clique e pronto, lá está o papo para por em dia. Acontece que em muitos casos, a correria diária nos deixa mais distantes mesmo que distantes, e acabamos nos desconectando do fio embrionário do tema. Isso pode causar fortes emoções e muitos “likes” e “deslikes,” dependendo do seu ponto de vista.

Quantos de nós já passamos por isso? E não adianta você dizer que não foi isso que quis dizer ou mesmo que era brincadeira, o fato é que a magia quebrou, o momento passou e a noiva fugiu com o padrinho. Acontece nas melhores famílias e, nas piores, já são garantia de assunto na hora do jantar. Telefone sem fio na minha época era uma brincadeira de criança que trata-se de um tema que começa a ser contado e à medida que vão contando aos outros vai se falando algo parecido, e no final, a história é completamente diferente da atual. Pois é, isso é tecnologia.

Telefone sem fio: as melhores fake news do mundo

Mas não se desespere, o mais importante nisso tudo é a experiência. Podemos sim conviver com deturpações ou mudança de valores, mas sempre respeitando a vírgula, pois é ela que nos dirá se o momento emocional que estamos vivendo merece uma carga maior que a palavra antes do sinal gráfico merece. Fazendo assim, podemos ter nossos momentos de pressão, tensão e leveza, que nada irá afetar seu dia e sua mente. E lembrar que há três décadas atrás, ligávamos para as pessoas de telefone fixo e até cartas que percorriam o país inteiro já serviram para unir pensamento e sentimentos. Feliz daquele que pôde provar dos dois vícios. Só assim pode entender que o que se escreve nem sempre é o que se pensa.

Pra terminar, lembrei de uma música da Marina Lima, pra quem não conhece, fez muito sucesso na década do 1980, e tinha uma música que tinha esse título que comecei o parágrafo. Está vendo, quantas palavras disse para não dizer nada. É isso, vamos viver mais e nos divertir, pois não sabemos o que nos espera amanhã. Sim, vai que de repente a internet seja destituída, pois para muitos ela veio com a intenção de separar a humanidade, afastar o convívio das pessoas. Eu acho que ela veio pra juntar, agregar, fazer a vida ter sentido amplo e irrestrito. E você o que acha?

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

Comentários estão fechados.

http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e