A comunicação social contra a intempérie pós-moderna

“Qual será o destino da comunicação social fidedigna neste século de informações efêmeras? Haveria fatores positivos neste panorama? Estão correlacionados ao Brasil? E negativos?”

Tenho certeza que essa gama de interrogações fazem parte do cotidiano dos jornalistas; radialistas; publicitários; assessores de imprensa e demais membros que integram os vértices da comunicação social e que possuem o desenvolvimento nacional como escopo. Perante o afluente de notícias que a pós-modernidade oferece, é válido que o jornalismo resgate a sua principal qualidade: a compleição investigativa.

Isso me faz lembrar dos “conceitos líquidos” magistralmente definidos pelo saudoso filósofo polonês Zygmunt Bauman, um dos maiores sociólogos da contemporaneidade. Suas críticas referentes às inúmeras deformidades ocasionadas pela financeirização mundial em uma série de países dessemelhantes é um impulso para que se reflita sobre a instabilidade do pós-modernismo; com sua atmosfera impermanente e destituída de meios que possibilitem a subsistência do seu próprio cânone.

O vínculo destes elementos com o atual quadro econômico ocidental é algo imanente, dado que as ambivalências; os riscos exorbitantes e a volatilidade acentuada resultam em paralelismos medíocres devido aos efeitos que a conjuntura tem provocado. E nessa miríade de recursos pálidos, que acarretam situações e compromissos frágeis, a insuspeição deve ser estimada como um postulado intrínseco à comunicação profícua.

Utilizar os dispositivos semióticos adequados em busca de conferir a veracidade das notícias é um método absolutamente eficaz para impedir que o jornalismo decente embarque nos veículos da imprensa multicolorida, como a rosa; a marrom e a de chapa-branca. Isso também separa os comunicadores profissionais da escória que habita as redes (antis)sociais e outros bueiros do ciberespaço. A partir do momento em que a demanda por informação sofre uma mudança brusca por culpa do tráfego digital e das notícias falsas, a obrigatoriedade para com a deontologia e a preservação dos valores éticos e fundamentos científicos análogos à comunicação social torna-se uma missão indispensável.

A órbita institucional é um dos circuitos onde este ponto segue em destaque, mais especificamente pelas atividades daqueles que gerenciam as normas de comunicação deste plano. A sinergia entre os fatos com a idoneidade e a emissão de mensagens objetivas configuram um legítimo processo de coalescência semiótica, pois as informações que esses organismos difundem internamente e que são externadas através da dinâmica de seus mercados exigem total nitescência; quer seja pela cristalinidade ou por virtuose. Descartar a retitude e a clareza semântica não é uma alternativa plausível em nenhuma hipótese.

É por intermédio dessas operações anexas ao reconhecimento das múltiplas pistas que concedem mobilidade às informações que se constrói um próspero ambiente de relacionamentos. Vale frisar que a população brasileira se interessa demasiadamente — e há bastante tempo — por rumores; intrigas; notícias urgentes e fórmulas de enriquecimento monetário. Não é por menos que os influenciadores de plataformas de vídeo logram de uma confiança que os jornalistas e educadores não detêm, haja vista que poucos são os indivíduos que observam as pesquisas; os documentários e os comunicados oficiais das entidades com a atenção que estes tópicos necessitam.

De um modo lacônico, é imperioso que as organizações mantenham a comunicabilidade para que os laços com a esfera social continuem firmes e transmitam o brio empresarial sem distorções. Isto posto, a autenticidade das informações provém do conteúdo ingênito que as mensagens honestas reverberam instantaneamente e que desperta o entusiasmo dos consumidores ao longo dos teoremas e desígnios que conduzem o setor econômico.

Levando em conta a análise do material discorrido, todo cidadão que almeja se qualificar profissionalmente na área da comunicação social, com uma destreza holística, precisa abdicar do delírio que forja a crença de que a evolução técnica é um requerimento coletivo. O aperfeiçoamento de cada ser humano, mediante o prisma da unicidade, não ocorre sem a decisão da criatura em particular. Julgar este oxímoro como uma fração de um projeto neoiluminista é um despautério, até porque se auto-orientar pelo conhecimento é um quesito de lógica primária em qualquer campo multisciente.

Sendo assim, o papel atemporal do jornalismo é esquadrinhar minuciosamente as informações; averiguando enigmas no intuito de purgá-los a fim de ortografar reportagens clarividentes e —finalmente — trazê-las a público.

Dentro ou fora do Brasil, as notícias efetivamente importantes são pautadas nos critérios supracitados; análogas à realidade e constantemente revisadas. Os artefatos de propaganda que a grande mídia televisiva, eletrônica e radiodifusora produz de maneira superlativa e intitula como “jornalismo” é mera ilusão porque o volume do acervo é nugativo quando o seu eixo é frágil e superficial. Quinhentos informes mal apurados jamais obterão probidade reprimindo um que esteja alinhado com a defesa da comunicação e da sociedade.

Por

Jornalista literário no segmento metapolítico e sociocultural. Pesquisador de assuntos históricos, filosóficos e aspectos econômicos do Brasil e da Ásia Oriental. Colaborador de periódicos geopolíticos e podcasts. Tradutor, locutor e dublador ocasional.

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