A bestialidade dos fogos no fim do ano

Ano vai, ano vem, e as bombas continuam apavorando os animais por aí. De gato a peixe, ninguém é salvo. E quase ninguém se preocupa. Até quando?

É Natal, Réveillon, Copa do Mundo, aniversário da vizinha, batizado do peixe. E soltam-se fogos. Bombas, na verdade. E quase ninguém faz nada, nem mesmo quem deve fazer isso por obrigação.

E então, foi-se embora mais um ano, mais uma tortura, mais acidentes. Acabei de ver uma história na cidade de Pimenta Bueno (RO), na Zona da Mata, na última sexta-feira, primeiro dia do ano. E quase último para a cadelinha Laika, um nome tão comum quanto os acidentes que sempre nos rodeiam.

Laika, ao escutar os fogos, fugiu apavorada e caiu numa vala, entre paredes e não conseguia sair. Quando sua tutora (não podemos mais dizer ‘dona’, já que ninguém é de ninguém) se deu conta, saiu correndo para tentar resgatá-la. Sem sucesso. E Laika, bravamente, continuou sua saga heroica de aguardar a chegada dos bombeiros, que logo – pasmem, logo!- chegaram e tiveram um trabalhinho de quebrar a parede e resgatar a menininha peludinha Laika do vão. Sem nenhum ferimento, a não ser mais um trauma para sua vida.

O buraco em que Laika se meteu

E, novamente, vemos essas atitudes tão maravilhosas do Corpo de Bombeiros, no resgate animal e me pergunto: até quando teremos essa bestialidade de soltar fogos barulhentos em datas comemorativas diversas? Não faz nenhum sentido, todos reclamam e a todo momento lemos notícias desse tipo. E em qualquer data, ou mesmo sem nenhuma, bomba! Aniversário? Bomba! Almoço de domingo com churasco? Bomba! E por aí vai, foi, será.

Na Bahia, em Itaparica, há um tempo atrás, foi flagrada uma “pesca” totalmente ilegal com: bomba! Isso mesmo, os quatro pescadores preguiçosos, ou com medo de vara, explodem o mar e, voilá, os peixes automaticamente boiaram. Criminosos, já que isso não pode ser configurado como pesca, e sim como a preguiça endêmica daqueles que só vivem de bolsa-família sem precisar, ou coisa parecida. Covardes. E não venham dizer que isso é coisa de baiano, porque sei até onde a Bahia vai, com esse mundão de terras plantadas de sol a sol, e que nos abastecem o ano todo. Sem bombas. E com todo o calor dessa terra linda!

Meu querido Barbosa, o cachorro mais apavorado que já tive, recebeu um bônus de três dias numa cidade sem barulho, dentro de um condomínio em que é terminantemente proibida a soltura de fogos. Foi a primeira vez, em 7 anos, que o Barbosa sequer latiu. Vida zen. Bombas sem. Acho até que ele deu um sorriso, mas não tenho provas disso e ninguém iria acreditar. Feliz 2021!

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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