A assinatura de um gênio

Em 1994, a revista ‘‘Premiere’’ procurou uma forma pouco ortodoxa de analisar o gênio do thriller e do terror psicológico

Stanley Kubrick sempre foi dono de uma personalidade controversa. Em 1994, a revista ‘‘ Premiere’’ se propôs a lançar alguma luz sobre o cineasta responsável por clássicos como: ‘‘2001 – Uma Odisseia no Espaço’’ (1968), ‘‘Laranja Mecânica’’ (1972) e ‘‘O Iluminado’’ (1980).

Stanley Kubrick

A revista estadunidense procurou uma forma pouco ortodoxa de analisar o gênio do thriller e do terror psicológico, a investigação da ‘‘Premiere’’ se deu através da análise numerológica e grafológica de sua assinatura. Vamos às conclusões que a equipe da revista chegou:

A caligrafia do exigente diretor estadunidense revela um intelecto privilegiado e um forte componente perfeccionista. Convém lembrar que Kubrick assumia o controle sobre a maior parte dos aspectos dos processos de filmagem, desde a direção, redação, produção, fotografia até a edição, tinha sempre o cuidado de fazer pesquisas meticulosas antes da concepção final de seus filmes e a encenar cenas, trabalhando em estreita coordenação com seus atores e outros colaboradores. Combinado a seu ‘‘número do destino’’ (8), a assinatura sugere que esse perfeccionismo não resulta de um ego superinflado, mas sim de medos e inseguranças. O ‘‘t’’ forte e livre (A), no entanto, mostra que o diretor é determinado a domar essas ansiedades.

Já o ‘‘S’’ e o ‘‘K’’ (B), bastante proeminentes, indicam uma dose grande de propósito e tenacidade, ao ponto de levar o diretor à obsessão – o que pode tê-lo afastado das pessoas no passado (ele costumava pedir várias dezenas de retomadas da mesma cena em um filme, o que resultava em muitos conflitos com seus elencos). Mas as linhas fortes e retas (C) e o fluxo rítmico de sua escrita traduzem autoconsciência e tentativas de se mostrar honesto em seus relacionamentos.

A ênfase colocada na letra ‘‘K’’ (D) expressa uma certa excentricidade: embora brilhante, o diretor pode às vezes encontrar dificuldade em lidar com problemas do dia-a-dia. O ‘‘número do destino’’ (8), que representa o infinito, dota Kubrick de um lado eventualmente místico e espiritual.

Por fim, a análise conclui que, embora 1994 não tenha sido um dos anos mais fáceis para o cineasta, ele pode trazer a conclusão de um projeto que é até hoje considerado uma obra-prima.

Por

vanderlei.tenorio@oestadorj.com.br

Jornalista, comentarista de cinema, correspondente no Brasil para alguns veículos portugueses e bacharelando em Geografia pela Universidade Federal de Alagoas.

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