70% dos prefeitos do RJ são investigados. Gelsinho Guerreiro, em Mesquita, é um deles

Nepotismo, dívidas de aluguel, de energia e má gestão fazem a prefeitura de Mesquita ser alvo do MP

Gelsinho Guerreiro (PSC), prefeito de Mesquita, é suspeito em quatro procedimentos que apuram irregularidades, incluindo a cobrança de propina na contratação de empresas para prestar serviços à prefeitura. Também é investigado por crime de falsidade ideológica, enriquecimento ilícito e, em duas ações civis públicas, por crime de responsabilidade. Uma nona investigação apura a suposta participação do político como sócio de uma das empresas contratadas pela cidade, o que configuraria crime contra a administração pública.

Com um débito de R$ 127 mil, a prefeitura se viu obrigada a devolver os carros alugados à locadora Citta América , que entrou com uma ação para reaver seus bens, duas picapes Amarok, usadas pelo prefeito, uma Saveiro, duas Kombis e quatro Gols. Além de atrasar os pagamentos, feitos no período de abril a julho de 2014, os carros não foram devolvidos no tempo certo. A prefeitura só entregou os veículos em maio. A locadora afirma que os veículos estavam em péssimo estado e com multas que ultrapassam R$ 2,5 mil.

Mesquita está atolada em dívidas e a locadora não é a única vítima. Algumas secretarias da prefeitura tiveram sua energia cortada por falta de pagamento à Light. Além delas, a prefeitura também deve R$ 3 milhões para a empresa de varrição de rua. Um lápis verde, que sugere uma “Cidade limpa com educação”, contrasta com o lixo acumulado em calçadas e às margens de rios e avenidas. Marca da administração do prefeito a falta de coleta parece mais um dos problemas do político, que está sendo investigado em nove procedimentos na Subprocuradoria Criminal do Ministério Público estadual (MP).

Na Subprocuradoria, o prefeito terá que explicar irregularidades nas contratações das empresas Compec (fornecimento de asfalto), Coop Saúde (contratação de pessoal), Inova Ambiental e Local Rio (ambas atuando na coleta de lixo e varrição de ruas). Os moradores não poupam críticas aos serviços, sobretudo nos bairros Chatuba, Vila Emil e Cosmorama, onde o lixo acumula por toda parte.

“A coleta não é feita regularmente. Está espalhado por todo o bairro”, desabafa a moradora de Vila Emil, Maria de Lourdes.

Já Carlos de Souza Marques, que mora em Cosmorama, conclui: “Essa cidade está um caos com esse governo. Tem lixo, rato e mosquito por todos os lados. Gozado que ele  foi eleito justamente recolhendo lixo, devido as falhas do governo anterior.”

Gelsinho ignora os pedidos de informação do MP, conforme atestam as duas ações civis públicas a que responde por não prestar esclarecimentos.

Mulher eleita e cobrança de propina

Daniele Guerreiro, mulher do prefeito, (PMDB), foi beneficiada pelo poder do marido para obter uma vaga na Assembleia Legislativa. Eleita ano passado com mais de 55 mil votos, ela teve o registro cassado pelo TRE sob a acusação de uso indevido de meios de comunicação durante a campanha. O prefeito ainda é citado em ação na Justiça Eleitoral por suposto uso da máquina pública em benefício da candidatura da mulher. Apesar da decisão, Daniele teve a diplomação garantida por liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O caso ainda aguarda julgamento.

Numa medida cautelar assinada pela desembargadora Katia Maria Amaral Jangutta, da Seção Criminal do Tribunal de Justiça, não foi capaz de abrir o baú das contratações. Na decisão referente ao pedido de acesso aos contratos emergenciais firmados com a empresa Captar Cooper, ela fundamenta a busca e apreensão nas evidências levantadas na notícia-crime do MP, que descreve a suposta cobrança de propina e a evolução patrimonial incompatível com os vencimentos do prefeito. O mandado, contudo, ainda não foi cumprido.

O prefeito vem alegando que a contratação da Captar Cooper foi feita na gestão anterior; que as informações em apuração pelo MP não procedem, e nega qualquer alegação sobre propina, ou ligação com empresas contratadas. Informa que seus bens são compatíveis com os seus rendimentos. Em relação às denúncias de uso da máquina para beneficiar a campanha da mulher, ele atribui a divergências políticas com o vice-prefeito, Waltinho Paixão (PRB). Diz ainda que o acúmulo de lixo é pontual e ocorreu devido à quebra de dois caminhões.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 4 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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