Notícia Postada em 06/02/2010 - 17:03
Reuters
No dia 20 de janeiro de 2009, em Washington DC, Barack Hussein Obama, 47, discursava pela primeira vez como o 44º presidente dos Estados Unidos. Sua eleição foi rodeada por certo misticismo, pois era o primeiro negro a chegar ao cargo mais alto da nação e por suceder George W. Bush. Em suas propostas, metas ousadas foram estipuladas para 2009, como, por exemplo, o fechamento da prisão de Guantánamo, atualmente sem data para ocorrer, a retirada das tropas americanas do Oriente Médio e a reforma do sistema de saúde.
No primeiro ano do mandato Obama evitou uma segunda Grande Depressão, conta com a provável aprovação no Congresso da reforma do sistema de saúde e iniciou a retirada das tropas americanas do Iraque. Mesmo com essas conquistas, dificuldades como o colapso econômico e o legado de guerras deixado por seu predecessor, fizeram a popularidade do presidente alcançar o menor índice desde a posse. Uma pesquisa da Universidade Quinnipac mostra que atualmente Obama tem 48% de aprovação, enquanto nos primeiros meses como chefe de governo, este percentual era de 68%.
Para o cientista político e pesquisador da Diretoria de Pesquisa (Dipes) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) Túlio Barreto, 51, o principal motivo para a desconfiança dos americanos está relacionada às inúmeras propostas feitas pelo presidente. “O governo dele é mais uma demonstração da abismal diferença que há entre a realidade de governar e as audaciosas propostas de mudanças de campanhas, baseadas nas camadas sociais mais carentes ou excluídas da população”, diz.
A campanha de Obama foi regida pelo bordão “Yes, We Can” ("Sim, nós podemos”, em tradução livre) e a promessa de transformação nos Estados Unidos e no mundo. Segundo a professora de Relações Internacionais da Universidade Estadual Paulista (UNESP) Cristina Pecequilo, 39, o discurso do democrata tem prejudicado seu governo. “A expectativa da mudança era elevada por conta da própria figura de Obama, cuja campanha deu-se em grande parte em tons populistas. Campanhas que prometem a mudança e que se sustentam em líderes carismáticos trazem, posteriormente, esta dificuldade de cumprir o que foi prometido”, analisa.
Balanço Geral
Nos primeiros 365 dias de sua gestão, Barack Obama conseguiu vitórias diplomáticas e também pessoais. Suspendeu restrições ao financiamento de pesquisas com células-tronco embrionárias, assinou o plano de recuperação da economia - com investimentos de 786 milhões de dólares - e recebeu o prêmio Nobel da Paz “pelos esforços diplomáticos internacionais e cooperação entre povos”. Mesmo assim, Túlio Barreto ressalta que não é possível afirmar que a administração teve sucesso neste início.
O cientista político afirma que os desafios de Obama são grandes e algumas de suas plataformas de governo esbarram na forma de pensar dos americanos. “As dificuldades enfrentadas continuam imensas e as propostas de mudanças tentadas até agora, sobretudo na área social, em um país de cultura tão predominante liberal e individualista como os Estados Unidos, ainda não foram digeridas pelo norte-americano médio”, comenta.
Perspectivas
Após um início de governo conturbado, no qual teve que enfrentar problemas econômicos e um índice de desemprego que atualmente está em 10%, Obama também deve encarar turbulências em 2010. De acordo com Cristina Pecequilo, os principais desafios ainda devem permanecer. “A pressão da oposição se mantém elevada e as grandes questões sociais e de política externa e interna continuam pendentes”, declara.
Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010